CraciaDemo(niaca)

não haverão mãos na terra
que sejam capazes
de arrancar a dor de que lá mora,
nem canções de revolução
que acalmem a angústia de quem lá luta,

sedimentamos ideiais,
num silêncio dormente
de povo de brandos costumes,
deixamos andar diletantemente
as decisões que não tomamos,

somos apáticos por natureza,
um povo dormente,
numa calma latente
que só por vezes
fazemos mexer esta gente,

em raros momentos somos unha e carne,
lutamos e alcançamos um ideal comum
e sopramos para o mesmo lado da vela,
descobrindo novos mundos em nós mesmos,
quando nem nós nisso acreditávamos,

gritamos o hino sob uma bandeira
carregada do sangue de quem lutou
para manter esta terra de gente humilde,
encabeçada por quem não sabe ser português,
apátridas, coio de indigentes,

lembrem-se ao menos dos canhões,
dessa mão que segura a arma,
e da outra que constrói,
tijolo a tijolo,
uma pátria que se quer mais nossa,

quantos mais anos nos deixaremos usurpar,
e estar à espera de um destino que cremos nosso?
não é suposto só se acreditar,
é suposto levantar e construir,
uma geração de cavalos e não de burros impotentes,

Seremos mais nós
quando deixarmos de ser eles,
que nos mandam, a belo prazer,
mamar na teta seca
da vaca de uma democracia inexistente.

~ por Mário em Setembro 7, 2011.

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