boXing daY

•Dezembro 26, 2011 • Deixe um Comentário

Se nos perguntarem como vai a vida?
levantemos o dedo do meio,
façamos cara feia,
viremos as costas e andemos,
birra de criança,

não quero dizer ou contar,
nem sequer partilhar,
quero tudo para mim,
quero-me sentar no sofá,
com um gato no colo,

quero olhar para a rua,
quero pensar,
descansar deste turbilhão,
desta vida que não pára,
quero, por momentos, o vácuo,

não quero sorrir,
nem quero chorar,
nem estou triste nem contente,
estou cansado,
e cansado de estar cansado,

se nos perguntarem como vai a vida?
tiremos a lingua de fora,
baixemos as calças e mostremos o rabo,
viremos as costas e andemos,
o que raio têm a ver com isso,

quero um dia de calmaria,
sem frio, sem calor,
um chá ao meu lado
e o pior programa na tv,
quero adormecer sem remorso,

quero sonhar, sem sonhar,
entrar em estado estacionário,
mas longe de estar morto,
porque me sinto tão bem vivo,
quero, por momentos o vácuo,

não fujo dos problemas,
nem das responsabilidades,
quero só uma folga,
estou cansado,
e cansado de estar cansado,

e se nos voltarem a perguntar,
como vai a vida?
não liguem, digam que sim, obrigado,
como quem responde ao chefe no fim do dia,
cerrem a boca e digam baixinho:

vai para o caralho…

CraciaDemo(niaca)

•Setembro 7, 2011 • Deixe um Comentário

não haverão mãos na terra
que sejam capazes
de arrancar a dor de que lá mora,
nem canções de revolução
que acalmem a angústia de quem lá luta,

sedimentamos ideiais,
num silêncio dormente
de povo de brandos costumes,
deixamos andar diletantemente
as decisões que não tomamos,

somos apáticos por natureza,
um povo dormente,
numa calma latente
que só por vezes
fazemos mexer esta gente,

em raros momentos somos unha e carne,
lutamos e alcançamos um ideal comum
e sopramos para o mesmo lado da vela,
descobrindo novos mundos em nós mesmos,
quando nem nós nisso acreditávamos,

gritamos o hino sob uma bandeira
carregada do sangue de quem lutou
para manter esta terra de gente humilde,
encabeçada por quem não sabe ser português,
apátridas, coio de indigentes,

lembrem-se ao menos dos canhões,
dessa mão que segura a arma,
e da outra que constrói,
tijolo a tijolo,
uma pátria que se quer mais nossa,

quantos mais anos nos deixaremos usurpar,
e estar à espera de um destino que cremos nosso?
não é suposto só se acreditar,
é suposto levantar e construir,
uma geração de cavalos e não de burros impotentes,

Seremos mais nós
quando deixarmos de ser eles,
que nos mandam, a belo prazer,
mamar na teta seca
da vaca de uma democracia inexistente.

frEak

•Junho 27, 2011 • Deixe um Comentário

Rasga-me a roupa e o sentido,
desenha-me objectos no corpo,
rasga-me a pele e ama-me por dentro,
atira-me contra a parede
e faz de mim um quebra-cabeças,
estoira-me as sinapses,
sê uma explosão de coisas,
cola-me os pedaços num balão
e deixa-me voar,
faz-me abrir os olhos de loucura
neste fazer amor latente e latejante,
tatua o teu coração no meu,
acelera-me o sangue nas veias,
pulsante nas artérias,
ofegante peço,
quero mais,
sentir o sufoco de ser feliz
por cada instante de loucura
que é o de te amar
e ter junto a mim,
placa-me e atira-me ao chão,
encosta-me às cordas
no ringue da vida,
faz-me correr cem metros
por uma maratona inteira,
faz-me escrever frases sem sentido
em que és cada uma das letras,
eleva-me ao profundo,
faz-me sentir o mundo,
come-me crú
e deixa a minha carcaça
aos abutres
num deserto distante
quando for velho e inútil,
por agora cicatriza-me a vida
de sorriso e felicidade
porque te tatuo a pele
do que sinto
e do que espero,
colando com tinta
o que tenho para te dizer,
o que quero fazer e percorrer
contigo ao meu lado.

soMetimes@meTropolis

•Junho 8, 2011 • Deixe um Comentário

e de rompante,
numa nuvem de cigarro,
vejo formas de gente,
tossido de catarro,
seguido de um escarro,
a noite segue em frente,
numa bebedeira inerente
a cada saída sem carro,
sinto o tremor mas não tremo,
respiro ofegante
do efeito desta droga que alucina,
de beber e cantar como uma buzina,
ai, loucura nocturna,
num bar, numa cisterna de cerveja,
numa pista de dança
onde se aparentemente dança,
mas só se cansa para beber mais um pouco,
e que pouco,
pouco que enche a pança,
fumo mais um pouco,
e soltamos a criança,
rimos e despregamos as
máscaras destes dias conservadores,
escondidos numa espécie de sociedade,
soltamos mais um tossido,
a música toca alto,
ouço estalos dentro do ouvido,
peço mais uma cerveja que é bar aberto,
e eu hoje estou tão desperto,
que podia estar sóbrio de verdade,
e tudo isto me ia parecer podre,
mas estou ébrio,
que pequena felicidade…

toPografia

•Maio 24, 2011 • Deixe um Comentário

Se pelas esquinas da vida
houver um raio de sol
que ilumine a próxima rua,
então teremos vontade de avançar,
de peito aberto
e sorriso na cara,
um novo dia a cada
esquina que se dobra
na topografia da vida,
um mapa que se desenha
com as mãos a tremer de esperança,
transformamos o negro da noite
na palete de cores da manhã,
o cheiro a café que preenche
a esplanada em que paramos
e pensamos,
não temos pressa,
um dia de cada vez,
nesta aventura de traçar-mos o nosso caminho
ouço o piano dentro do café,
e as pessoas a falar,
no queixume diário,
e eu, de sorriso parvo na cara,
tenho o sentido de controlar
cada rua que passo,
a harmonia das notas que
me transporta para longe,
e voamos nos nossos sonhos,
na prespectiva de ver o mapa mais de cima,
no ideal, no próximo da felicidade,
e queremos que o nosso mapa,
seja exactamente o que imaginamos
quando voamos
ao som de um piano de um bar,
sentados na esplanada a tomar um café,
esperando pela nossa companhia matinal,
sentimos o cheiro do pão
acabado de fazer
e arrepiamo-nos por nos sentirmos vivos,
o sol sobe,
as cores tornam-se mais claras,
o sorriso mais vibrante,
e levanto-me,
na procura incessante
de dobrar a próxima esquina,
sem saber o que se aproxima
em cada rua que traçamos
na topografia de uma vida que,
apesar de tudo, não controlamos.

mOOd swinGs

•Maio 16, 2011 • Deixe um Comentário

I

O azul do céu preenche-me,
A todo dia a toda a hora,
O romper da aurora,
O acordar,
Um gesto de menina
Na mulher que te tornaste,
Os sons em harmonia
Na natureza que és tu,
O mundo que em ti existe
Já é parte de mim.
Espero a cada segundo acordar
Na imensidão do teu amor,
Quero-te, quero-te para sempre
Para sempre ao acordar,
Ter a imensidão dos teus olhos,
A profundidade da tua alma,
A leveza do teu ser,
Não partas da minha vida sem aviso
Minha vida é um improviso
De palavras e sentimentos,
Ao nascer de cada dia espero-te encontrar
Ao meu lado
De olhos fechados a sonhar,
Não te quero perder,
Não consigo,
Na minha mortalidade,
Na minha vida efémera mostrar ao mundo
O que verdadeiramente sinto por ti,
Sou louco de amor
Sou louco por te amar,
Não quero esperar, ou deixar passar mais um dia
Sem te amar,
Porque o teu amor é a minha vida,
Por ele eu passarei a minha vida a esperar.

II

Espero loucamente o dia em que venhas,
Do meio das nuvens, do meio da escuridão,
Do meio dos mortos, duma ilusão,
E sonho, e rezo para que existas,
Que não sejas produto da minha imaginação,
E grito, desespero, anseio,
E grito, te quero, te quero, te quero,
E silenciosamente espero,
Num pranto interior,
Jaz em minha face um sofrer
Por algo que não conheço,
Abala meu coração que sejas mera ilusão.
Quem me dera um sinal, uma palavra,
Um gesto, um som vindo do paraíso,
Sussurrando-me ao ouvido “Amo-te”.

harBor

•Maio 13, 2011 • Deixe um Comentário

Queria ter a mesma coragem que tu,
e roubar-te, trazer-te para ao pé de mim,
para poder olhar-te a todos os momentos,
só que não tenho,
e estás distante,
distante como uma estrela,
e eu sinto o vazio em mim,

quando estou sem ti não tenho alegria,
não consigo sorrir,
suspiro, o meu coração não bate da mesma forma,
quando estou contigo os meus dias nunca são iguais,
és uma surpresa a cada dia, uma boa surpresa,
e quando não estou contigo,
quando não estou contigo sinto a tua falta,
a falta da tua presença,
que por si só me faz sorrir,
me faz ter vontade de viver,
quando não estou contigo sinto vontade de correr,
correr para longe, para junto de ti,
onde me sinto seguro,

és o meu porto de abrigo,
e eu uma pobre embarcação
na tempestade da vida,
navego à deriva, anseando por um sinal teu,
espero ver-te ao passar de cada onda.
estou só, com frio, no oceano,
e anseio pelo teu calor,
porque sei que existes,
anseio por voltar a terra,
e por lá ficar por toda a eternidade,
no meu porto de abrigo,
abrigado do medo de me perder de ti,
do medo de te perder,
a ti.

cUt

•Maio 12, 2011 • Deixe um Comentário

cortei os pulsos,
e senti o sangue que escorria,
deixei de ter frio por momentos,
e vi o mundo a girar em minha volta,
mil voltas sem parar,
vi tua face parada no espaço que girava,
falavas comigo mas eu não te ouvia,
deixei de ter medo por estares longe,
e de repente senti-me perto de tudo,
como se fizesse parte do espaço que nos rodeia,
deixei de sentir o peso do meu corpo,
a minha fealdade, senti-me divino,
e pairei acima de todo o universo,
sempre com a tua face no meu pensamento,

no chão pinga o sangue que escorre,
e já não volta ao meu coração,
tenho o corpo todo pintado de vermelho,
do sangue que já não me pertence a mim,
tenho o coração ardente de paixão,
que me queima por dentro,
doi-me mais do que a vida que se esvai
a cada segundo que passa,
reprimo e calo, e tua face não me esqueço,
está aqui em mim frente
a cada restante batida do meu coração,
liberta-me destas correntes que me prendem ao mundo,
faz-me voar, faz-me estar junto a ti,
deixa-me seguir a tua voz anjo

porque não voltas?
fazes-me querer ir ter contigo,
não tenho, agora, vontade de regressar,
agora que o sangue fugiu do meu corpo,
e o meu coração parou de bater,
e no entanto não arrefeço
porque a paixão que me aquece
não me deixa morrer,
faz-me voar para esse teu mundo onde caminhas,
quero morrer agora que não te tenho,
e sinto a falta do teu abraço,
beija-me novamente
e verás o meu coração bater novamente,
ama-me, faz-me viver eternamente.

everYtime

•Maio 11, 2011 • 2 Comentários

Podem nascer crianças a todas as horas,
e morrer velhos, homens, mulheres,
podem-se suceder milhares de acontecimentos,
no vertiginoso avanço da vida,
podem cair pontes, prédios, governos,
pode ruir toda um história da humanidade,
mas se estiver a teu lado nada importa,
em mim reina a paz interior,
só ouço o meu coração a bater a mil à hora,
em sintonia com o teu,
todo o mundo se transforma naquele metro quadrado
que os nossos corpos ocupam deitados, tudo condensado,
o nosso mundo, onde nada entra, nada sai,
onde estamos sós, felizmente sós e nos amamos,
onde a felicidade reina, não há espaço para a tristeza,
não há frio apenas o calor dos nossos corações,

Não temos guerra no nosso mundo,
a nossa única doença é o amor,
e não a queremos curar nunca,
é uma epidemia que não me importo de te contagiar,
mostrar-te tudo o que sinto,
quero viver para sempre abraçado a ti,
para sempre sentir a segurança do teu abraço,
o bater do teu coração no meu ouvido
quando adormeço junto a ti,
na minha noite és a estrela que me guia,
a aurora boreal, a magia,
és a força da natureza,
comandas o mundo onde tu e eu vivemos,
fazes mudar as estações, passar os dias,
fazes-me sorrir, morrer de saudades, fazes-me amar,

e sofrer por não puder estar a todos os momentos contigo.

blinDness

•Maio 11, 2011 • 2 Comentários

peguei num pincel,
misturei as cores,
não encontrei a cor do amor,
pintei em quadros, em telas,
folhas, rascunhos,
nenhum dos esboços se assemelhou a ti,
procurei o mundo inteiro,
de este a oeste,
de norte ao sul, nada,
nada me pareceu belo outra vez,
cegaste-me, tiraste-me o mundo exterior,
porque o meu mundo és tu,
o ar que respiro agora,
é o aroma do teu corpo,
a brisa que sinto no meu corpo,
é o bater do teu cabelo,
a seda que sinto nos meus dedos,
é o toque da tua pele,
o meu coração bate a cada beijo teu,
como eu queria anjo,
passar cada momento ao teu lado,
aninhado em ti, a fazer-te sorrir,
porque o teu sorriso ilumina o meu mundo,
ilumina a minha vida,
os brilhos dos teus olhos são o meu céu estrelado,
o sussurrar nos meus ouvidos,
é a música que ouço,
não fujas jamais,
aproxima-te cada vez mais,
por muito longe que te encontres,
por muito tempo que não fales,
estás sempre junto a mim,
no bater do meu coração.

 
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