Se nos perguntarem como vai a vida?
levantemos o dedo do meio,
façamos cara feia,
viremos as costas e andemos,
birra de criança,
não quero dizer ou contar,
nem sequer partilhar,
quero tudo para mim,
quero-me sentar no sofá,
com um gato no colo,
quero olhar para a rua,
quero pensar,
descansar deste turbilhão,
desta vida que não pára,
quero, por momentos, o vácuo,
não quero sorrir,
nem quero chorar,
nem estou triste nem contente,
estou cansado,
e cansado de estar cansado,
se nos perguntarem como vai a vida?
tiremos a lingua de fora,
baixemos as calças e mostremos o rabo,
viremos as costas e andemos,
o que raio têm a ver com isso,
quero um dia de calmaria,
sem frio, sem calor,
um chá ao meu lado
e o pior programa na tv,
quero adormecer sem remorso,
quero sonhar, sem sonhar,
entrar em estado estacionário,
mas longe de estar morto,
porque me sinto tão bem vivo,
quero, por momentos o vácuo,
não fujo dos problemas,
nem das responsabilidades,
quero só uma folga,
estou cansado,
e cansado de estar cansado,
e se nos voltarem a perguntar,
como vai a vida?
não liguem, digam que sim, obrigado,
como quem responde ao chefe no fim do dia,
cerrem a boca e digam baixinho:
vai para o caralho…
